A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira, a 6ª etapa da Operação Unha e Carne, focada em desarticular uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio suspeita de movimentar R$ 7,6 bilhões em lavagem de dinheiro com o apoio de agentes públicos. A ação decorre de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e atende a determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF 635, a “ADPF das Favelas”, que exige a apuração de vínculos entre autoridades e facções criminosas.
Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital. Em um dos endereços, foram apreendidas armas, joias, dinheiro e veículos de luxo. A Justiça determinou ainda o sequestro de bens e a suspensão das atividades econômicas das empresas envolvidas.
Entre os alvos da operação estão o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União Brasil), e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. Também foram alvos o inspetor de polícia Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como “Pablo Russo”, e o ex-PM e miliciano Juracy Alves Prudêncio, o “Jura”, apontado em 2008 pela CPI das Milícias da Alerj como chefe de grupo paramilitar na Baixada Fluminense.
A investigação aponta que Pablo Russo seria proprietário, por meio de laranjas, de uma rede de postos, com mais de 80 empresas ligadas a seus parentes. A trajetória de Canella na política fluminense inclui três mandatos na Alerj, a vice-prefeitura de Belford Roxo entre 2017 e 2019 e a eleição para a prefeitura em 2024, cargo do qual se licenciou em abril de 2026 para buscar uma vaga no Senado. O delegado Amim, por sua vez, comandou a Secretaria de Polícia Civil entre 2023 e 2024, após aprovação de projeto na Alerj que flexibilizou requisitos para o cargo.
Cronologia da Operação Unha e Carne
A série de investigações teve início em dezembro de 2025, focada inicialmente no vazamento de dados sigilosos que teriam beneficiado o Comando Vermelho.
-
Dezembro de 2025: A 1ª fase mirou o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, acusado de vazar informações da Operação Zargun para o articulador político Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o “TH Joias”. Na 2ª fase, a PF prendeu o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, suspeito de repassar informações do Judiciário a Bacellar.
-
27 de março de 2026: A 3ª fase resultou em nova prisão de Bacellar, após cassação de seu mandato pelo TSE no escândalo da Ceperj e denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).
-
5 de maio de 2026: A 4ª fase prendeu o deputado estadual Thiago Rangel, suspeito de fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc).
-
2 de julho de 2026: A 5ª fase cumpriu buscas contra o empresário Fernando Trabach Gomes e mandados de prisão contra o pastor Márcio Poncio e o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o “Adilsinho”. As investigações contra Trabach apuraram ligações com o governador Cláudio Castro (PL) e Rodrigo Bacellar, envolvendo gastos de campanha com combustíveis e contratos estatais.
Da redação da Rádio Natividade
Natividade FM