PF cumpre mandados em Itaocara e outras cidades em operação que mira deputado e supostas fraudes de R$ 200 milhões

A Polícia Federal deflagrou, na manhã de terça-feira (12), a Operação Castratio, que investiga um suposto esquema de fraudes em licitações e desvios de recursos públicos no Estado do Rio de Janeiro. O principal alvo da ação é o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB), que teve o aparelho celular apreendido por agentes federais no Aeroporto Santos Dumont enquanto tentava embarcar para Brasília. A investigação, que corre sob a tutela do Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao foro privilegiado, apura irregularidades que somam aproximadamente R$ 200 milhões em contratos destinados a programas de castração e esterilização de animais.

As diligências mobilizaram equipes para o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Flávio Dino. Entre os locais visitados pelos agentes está o município de Itaocara, no Noroeste Fluminense, além de endereços em Macaé, Niterói e na capital fluminense. A operação também estendeu-se ao estado de São Paulo, com buscas nas cidades de São Roque e Mairinque. Em Itaocara, imagens divulgadas pela corporação mostraram a apreensão de joias e outros bens de valor durante a fiscalização nos endereços vinculados aos investigados.

O foco da Polícia Federal recai sobre o período em que o parlamentar ocupou o cargo de secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio de Janeiro. Os investigadores apontam indícios de que os processos licitatórios foram manipulados para beneficiar empresas específicas, incluindo a assinatura de aditivos contratuais sem o devido respaldo técnico ou jurídico. Relatórios de inteligência indicam que uma das empresas vencedoras teria sido criada poucos meses antes de firmar contratos milionários com a pasta, levantando suspeitas de direcionamento e lavagem de dinheiro.

Além do recolhimento de documentos e dispositivos eletrônicos, as equipes localizaram quantias em dinheiro em espécie durante as buscas na sede da secretaria e em residências particulares. O material coletado passará por perícia técnica para detalhar a participação de cada integrante no grupo criminoso e identificar a destinação final dos valores desviados. Até o fechamento desta reportagem, a assessoria do deputado Marcelo Queiroz não havia emitido um posicionamento oficial sobre o caso, mantendo o espaço aberto para as devidas manifestações de defesa.

Da redação da Rádio Natividade