A Zona da Mata mineira viveu uma das madrugadas mais dramáticas de sua história recente. As fortes chuvas que atingem a região desde o fim da tarde de segunda-feira já contabilizam 22 mortes confirmadas e centenas de desabrigados, concentrados principalmente nos municípios de Juiz de Fora e Ubá.
Diante do cenário de devastação, as prefeituras de Juiz de Fora e Matias Barbosa decretaram estado de calamidade pública, enquanto o Corpo de Bombeiros mobiliza forças para localizar ao menos 45 pessoas que seguem desaparecidas sob escombros e áreas alagadas.
Em Juiz de Fora, o volume de chuva atingiu a marca histórica de 584 milímetros, o dobro do esperado para todo o mês, tornando este o fevereiro mais chuvoso já registrado na cidade. O relevo acidentado do município, marcado por morros e encostas, potencializou a tragédia.
No bairro Parque Burnier, um dos mais afetados, 12 casas desabaram e as equipes de resgate buscam por 17 desaparecidos, entre eles mais de cinco crianças. Já no bairro Cerâmica, o desabamento de duas residências deixou cinco pessoas de uma mesma família soterradas, mobilizando equipes da Defesa Civil, Polícia Militar e Empav em uma operação de risco.
A infraestrutura urbana da maior cidade da região também entrou em colapso. O transbordamento do Rio Paraibuna e de diversos córregos causou o fechamento de pontes e do mergulhão que liga os bairros ao Centro, além de registrar inúmeras quedas de árvores.
Em pronunciamento oficial, a prefeita Margarida Salomão confirmou ao menos 20 ocorrências de soterramento e decretou luto oficial de três dias. As aulas na rede municipal foram suspensas por tempo indeterminado, e os sobreviventes resgatados estão sendo assistidos no Hospital de Pronto Socorro (HPS).
A situação é igualmente crítica em Ubá, onde o transbordamento do ribeirão local inundou a Avenida Beira Rio após um acumulado de 124 milímetros em apenas seis horas. A prefeitura confirmou seis mortes no município, embora as identidades das vítimas ainda não tenham sido divulgadas.
Em Matias Barbosa, o decreto de calamidade pública visa agilizar o acesso a recursos federais para o atendimento emergencial das famílias atingidas pelas enchentes que isolaram diversas partes da cidade. Com a previsão de continuidade das chuvas para as próximas horas, as autoridades mantêm o alerta máximo devido ao risco iminente de novos deslizamentos de terra.
Da redação da Rádio Natividade
Natividade FM