Cassado em 2021, Wilson Witzel anuncia sua pré-candidatura do governo do RJ

O cenário político do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo esta semana, com a confirmação de que o ex-juiz federal Wilson Witzel pretende disputar o Governo do Estado nas próximas eleições. O anúncio marca uma tentativa de ressurgimento político após o processo de impeachment que o removeu do cargo em 2021, tornando-o o primeiro governador do estado a ser destituído sob tais circunstâncias desde a redemocratização. Witzel, que em 2018 saiu do anonimato jurídico para uma vitória expressiva nas urnas, aposta agora na memória de seu eleitorado conservador e em uma narrativa de revisão judicial para tentar ocupar novamente o Palácio Guanabara.

A viabilidade desse projeto, entretanto, depende de uma complexa batalha nos tribunais. Condenado pelo Tribunal Especial Misto por crime de responsabilidade, o ex-governador recebeu uma sanção de cinco anos de inelegibilidade, o que tecnicamente o impede de participar do pleito. Para contornar esse obstáculo, sua defesa intensifica esforços em recursos que alegam irregularidades no processo de afastamento, buscando anular a decisão original ou garantir uma liminar que o permita registrar a candidatura. Sem essa vitória jurídica, o anúncio corre o risco de se tornar apenas um movimento de pressão política sem efeitos práticos nas urnas.

No campo do discurso, Witzel demonstra que não pretende se distanciar das pautas que o consagraram. Ele tem reforçado as críticas à atual gestão do estado e retomado a retórica de combate rigoroso à criminalidade, posicionando-se como um gestor técnico que foi interrompido por articulações de adversários. Enquanto seus opositores relembram as investigações de corrupção na saúde durante a pandemia — que fundamentaram sua queda —, o ex-magistrado tenta emplacar a tese de que foi vítima de uma perseguição política orquestrada por não se curvar ao sistema tradicional fluminense.

A recepção da notícia entre as legendas partidárias é de cautela. Embora Witzel ainda detenha um capital político residual, sua alta taxa de rejeição e a incerteza jurídica tornam sua coligação um desafio para qualquer partido. O movimento, contudo, obriga os atuais nomes da direita e do centro a recalcularem suas rotas, uma vez que a entrada de um nome com “recall” de votos pode fragmentar o eleitorado e forçar a antecipação de alianças para 2026.

Da redação da Rádio Natividade