Uma carta publicada nesta quinta-feira (22), que reúne até agora 59 assinaturas de bispos – entre os quais o da Diocese de Campos dos Goytacazes – apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e rejeita a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo os signatários, uma das candidaturas “ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI [Doutrina Social da Igreja], a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum”. A carta foi publicada no dia seguinte à mensagem ao povo brasileiro do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre o segundo das eleições presidenciais.
Em documento sobre as eleições divulgado em 17 de junho, a CNBB afirmou que Igreja no Brasil não apoiava nenhum partido nem candidato.
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Sem citar Flávio Bolsonaro pelo nome, a nova carta dos bispos critica a candidatura que “sempre foi contra o fim da escala 6×1” e afirmam que um dos candidatos “promete submissão do Brasil aos Estados Unidos (EUA)”, “promete liberar o acesso amplo às armas, como fez o seu pai em seu Governo” e “não reconhece a crise climática, nega os problemas ecológicos”.
“Não se trata apenas de uma escolha eleitoral, tantas vezes já praticada no Brasil, mas da possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação, cujos exemplos na história do século XX deixaram cruéis e amargas lembranças”, diz a carta.
O documento também não menciona Lula pelo nome, mas afirma que a outra candidatura, “embora também esteja sujeita a críticas, sempre manifestou responsabilidade com os pobres e com a Casa Comum e atuou dentro dos limites da ordem democrática, respeitando a Constituição”.
“Gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja”, dizem os bispos.
Intitulado “Carta de bispos católicos ao povo de Deus diante do segundo turno das eleições presidenciais de 2026”, o texto foi divulgado pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, e está aberto a adesões até amanhã (24), véspera do segundo turno das Eleições que além de escolher o próximo presidente da República, os eleitores de alguns estados também votarão para governador. Segundo a coluna, o movimento Bispos do Diálogo pelo Reino, que até agora manifestava-se publicamente sobre temas políticas anonimamente, participou da articulação para elaborar e divulgar a carta.
Entre os signatários estão os arcebispos de Uberaba (MG), dom Paulo Mendes Peixoto, de Porto Velho (RO), dom Roque Paloschi, e de Feira de Santana (BA), dom Zanoni Demettino Castro, além de dom Luiz Fernando Lisboa, bispo de Cachoeiro de Itapemirim (ES), que tem o título pessoal de arcebispo.
O bispo da prelazia do Marajó (PA), dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, assina o documento como presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), e não com a identificação de sua prelazia. Também assinam o bispo de Santos (SP), dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, e o bispo de Jales (SP), dom José Reginaldo Andrietta.
Bispo de Campos é o único do RJ a assinar manifesto
O bispo de Campos (RJ), dom Roberto Francisco Ferrería Paz, é um dos signatários e disse por meio de nota de sua diocese, que a carta tem “caráter exclusivamente pastoral”, “não contendo qualquer pedido explícito de apoio nem declaração de voto a candidatos ou partidos políticos”.
A assessoria informou que o bispo não concederá novas declarações, “visto que todos os posicionamentos e reflexões da Igreja encontram-se devidamente expressos no texto da referida carta”.
Em abril deste ano, a CNBB informava que o Brasil tinha 497 bispos, dos quais 324 em atividade e 173 eméritos. Os 59 signatários correspondem a cerca de 11% desse total.
Da redação da Rádio Natividade/ACI Digital
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