Carlos Eduardo Tavares de Aquino Cardoso, acusado de ter matado a própria mãe, em Campos, participa da primeira audiência — Foto: Matheus Augusto/g1

Campos: Estudante de medicina que atropelou e matou a mãe irá a júri popular

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu que Carlos Eduardo Tavares de Aquino Cardoso, o estudante de medicina acusado de atropelar e matar a própria mãe, Eliana Lima Tavares, enfrentará o Tribunal do Júri. A decisão de pronúncia confirma que o crime será tratado como homicídio doloso (com intenção de matar), sob a qualificadora de feminicídio.

O caso, que chocou a cidade de Campos em outubro de 2024, ocorreu na Avenida Francisco Lamego, em Guarus. Segundo as investigações da 146ª DP, Carlos Eduardo dirigia sob o efeito de álcool e drogas quando atingiu a bicicleta elétrica de sua mãe. Após o atropelamento, ele ainda colidiu com outro veículo, deixando cinco pessoas feridas.

O Ministério Público sustenta que o ato não foi um acidente. Durante a fase de instrução, foram apresentados vídeos e depoimentos que revelaram um histórico de violência doméstica. Em imagens gravadas pela própria família antes do crime, o estudante aparecia agredindo a mãe e proferindo ameaças de morte.

Ao pronunciar o réu ao Júri Popular, o magistrado entendeu que há indícios suficientes de autoria e materialidade para que a sociedade civil decida o destino de Carlos Eduardo. O réu responde por:

Feminicídio (Homicídio qualificado por razões da condição de sexo feminino e no contexto de violência doméstica).

Lesão corporal dolosa (em relação às vítimas do segundo veículo atingido).

Dirigir sob influência de substância psicoativa.

Histórico de Violência

O depoimento do pai do acusado foi um dos pontos mais marcantes do processo até agora. Ele relatou que o filho era agressivo e que a mãe vivia em constante estado de medo. “Ele dizia que ela tinha que morrer”, afirmou o pai em audiência, reforçando a tese de que o crime foi o ápice de um ciclo de abusos.

Atualmente, Carlos Eduardo segue preso preventivamente na Casa de Custódia de Itaperuna. A defesa ainda pode recorrer da decisão de pronúncia, mas, caso mantida, o julgamento será agendado para os próximos meses em Campos dos Goytacazes.

Da redação da Rádio Natividade