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MP cumpre mandados de busca e investiga suposto esquema de corrupção no Presídio de Itaperuna

O Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) realizou uma operação nesta quarta-feira (05) no Presídio Diomedes Vinhosa Muniz, em Itaperuna, no Noroeste Fluminense. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão e investiga indícios de corrupção por agentes públicos. Segundo as investigações do MPRJ, que ainda estão no início, os chamados “faxinas”, que são presos que assumem a função de limpeza no presídio, estariam provocando outros presos para que pagassem dinheiro a agentes, extorquindo esses internos. A investigação mostrou que esses presos cobravam de R$ 800 a R$ 1.500.

“Nós entramos na sela dos ‘faxinas’, no Setor de Segurança e no SOE [Serviço de Operações Especiais]. A busca teve como objetivo pegar alguns computadores para fazer análise dos dados ali constantes, retiramos um Wi-FI que foi encontrado no SOE e pegamos algumas documentações que demonstram pagamentos feitos por presos”, disse o promotor Marcos Davidovich.

Ainda de acordo com o promotor, existe uma suspeita que a utilização do Wi-Fi poderia estar sendo vendida aos presos.

“O roteador vai passar por perícia para saber quais aparelhos estavam vinculados a ele, a partir daí teremos uma ideia”, informou o promotor.

O Ministério Público informou que existiam regalias aos presos “faxinas”. As investigações apontam que eles cobravam os valores dos outros internos em troca de favores como transferências de celas e antecipação de benefícios. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que há uma investigação em curso para apurar irregularidades na unidade.

Veja a íntegra da nota da Seap:

“A Secretaria de estado de Administração Penitenciária (Seap) informa que já há uma investigação em curso para apurar as possíveis irregularidades cometidas no Presídio Diomedes Vinhosa Muniz, em Itaperuna. Ressaltamos que a atual gestão não compactua com qualquer tipo de irregularidade e vai intensificar, ainda mais, as ações de repressão que estão acontecendo, desde o início da atual gestão, para combater as irregularidades e a entrada de materiais ilícitos nas unidades prisionais. A operação ‘Asfixia’, por exemplo, realizada pelos próprios inspetores penitenciários, já apreendeu de Janeiro a Junho, cerca de 5.000 celulares. No mesmo período do ano passado, apenas 2.972 aparelhos foram encontrados. A Seap também implantou, desde o início do ano, duas ações importantes: a operação ‘Iscariotes’, que já flagrou DEZ inspetores penitenciários tentando entrar com objetos ilícitos nas cadeias. Todos os casos estão sendo apurados pela corregedoria e podem ter a pena máxima de demissão. Já a operação ‘Bloqueio’, tem como objetivo impedir que visitantes de presos burlem as regras de segurança, prendeu 16 visitas tentando entrar com drogas e celulares em cadeias. No mesmo período do ano passado, NENHUM servidor foi flagrado tentando entrar com qualquer tipo de material ilícito nas unidades. Isso mostra o empenho da atual gestão em combater este tipo de crime, ‘cortando na própria carne’, se for preciso. É importante afirmar que todas as operações são realizadas pelo próprio corpo funcional da Seap.”

Fonte: G1 –  Foto: Cléber Rodrigues/Inter TV