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Dia de campo reuniu cafeicultores do Noroeste Fluminense

Cerca de 350 cafeicultores participaram, na última semana, de um Dia de Campo sobre Cafeicultura de Qualidade, realizado na Fazenda Candelária, em Bom Jesus do Itabapoana, propriedade de José Ferreira Pinto.  A capacitação foi realizada pela Coopercanol – Cooperativa de Café do Norte Fluminense, Ministério da Agricultura, Governo do Estado (através da Emater-Rio), Prefeitura de Varre-Sai e Sebrae/RJ, instituições que trabalham em parceria para o fortalecimento da cafeicultura no Noroeste Fluminense.

José Ferreira Pinto, anfitrião e presidente da Coopercanol, esclareceu que o principal objetivo foi mostrar o resultado da pesquisa sobre o espaçamento ideal nas plantações de café em regiões montanhosas, desenvolvida pela Pesagro-Rio, em parceria com o cafeicultor. Ao longo de 13 anos, o pesquisador Wander Eustáquio Andrade analisou os dados das colheitas de cafezais com diferentes espaçamentos, plantados na Fazenda Calendária. A pesquisa provou que o espaçamento de 2 m por 0,5 m (2 metros entre ruas e 50 centímetros entre pés de café) é o que garante maior produtividade na cafeicultura de montanha.

“Para mim é uma satisfação mostrar o que tem sido feito de bom, e essa pesquisa comprovou o que já vem sendo recomendado pelos especialistas, que são 10 mil pés de café por hectare, utilizando o espaçamento de 2 por 0,5. Mas muitos produtores ainda tinham dúvidas sobre a eficácia do adensamento do cafezal, e é por isso que nós precisamos desses encontros, porque é neste momento que trocamos experiências e conhecemos as tecnologias e as novidades em equipamentos e manejo da lavoura” – diz Ferreira.

O resultado da pesquisa foi apresentado na palestra sobre “Como aumentar a produtividade do café arábica através do espaçamento” pelo coordenador Wander Eustáquio. Além da palestra, os participantes foram divididos em grupos e percorreram seis estações práticas: Fertilização do café; Programa nutricional; Tecnologia Mais Café; Manejo de Pragas e Doenças na Lavoura; Manejo de Pragas e Doenças no Terreiro; e Fertirrigação. Técnicos e agricultores também puderam trocar experiências e visitar estandes de empresas do setor agrícola, conhecendo as novidade em produtos e maquinários para a atividade.

O cafeicultor Márcio Vargas ressalta a importância dos dias de campo. “É a nossa oportunidade de confraternização após a colheita, e também do conhecimento de novas tecnologias e novas técnicas de manejo para que nós possamos cuidar bem das nossas plantações de café neste novo ciclo que começa. Estamos iniciando os tratos culturais para a colheita de 2017, e esta capacitação nos dá subsídios para trabalhar com foco na redução dos custos de produção e no aumento da qualidade e da produção do café.

Cafés especiais no Noroeste

Durante dois anos – 2014 e 2015 – o Sebrae/RJ desenvolveu o Projeto de Melhoria da Qualidade do Café no Noroeste Fluminense, através de convênio com a Universidade de Lavras, com apoio da Coopercanol,  Prefeitura de Varre-Sai, Governo do Estado, Ministério da Agricultura, Senar e Faerj. Os técnicos trabalharam na implantação de um programa de gestão com foco no controle de qualidade e melhoria dos processos de pós colheita.  Os resultados foram surpreendentes, com expressiva redução da porcentagem de cafés com defeito na bebida. A produção de café especial saltou de 10% para 33%;  enquanto a de café riado (baixa qualidade) baixou de 53% para 24% e a de bebida dura (sem defeitos no sabor) subiu de 37% para 43%. O impacto financeiro também foi alto: aumento de 1,3 milhão de reais nestes dois anos, se comparado com o valor da saca de café antes da realização do projeto.

Quatro municípios do Noroeste Fluminense são produtores de café: Varre-Sai, Porciúncula, Natividade e Bom Jesus do Itabapoana, que respondem por 71% da produção de café do Estado do Rio de Janeiro, com predominância de pequenas propriedades e agricultura familiar, com 1203 cafeicultores.  O café produzido na região é o arábica e devido à topografia (relevo acidentado e altitude que varia entre 600 e 1000 m), a atividade demanda muita mão de obra, gerando trabalho e renda para os habitantes, mesmo com o advento das máquinas portáteis.

Da redação da Rádio Natividade com Ascom